terça-feira, abril 18, 2006

Como desfazer uma equipa em quatro capítulos

Foi com uma sensação de quase desespero que assisti, esta terça-feira, a um verdadeiro recital de Carlo Ancelotti, com o título "Como Desfazer uma Equipa em Quatro Capítulos".

Viu-se um Milan com vontade de atacar, de criar perigo, mas desconjuntado, sem ligação, com muitos passes errados e sem fazer aquilo que é obrigatório contra o Barcelona, ou seja, rápidas trocas de bola e desmarcações. O Milan entrou nervoso, precipitado, atabalhoado, enfim, parecia o Benfica (!!) em casa, frente ao mesmo adversário. Ao ponto de Seedorf (jogador de quem sou confesso admirador) parecer o Beto a perder bolas ou a entregá-las mal, ou Pirlo (de quem não gosto tanto) a dar ares de Petit, mas menos feio, sem saber o que fazer à bola. Às tantas, Shevchenko fez-me lembrar Nuno Gomes (!!!!!!!!!), tantas vezes foi desarmado, e Kaká o Laurent Robert (!!!!!!), de tão ausente do jogo. Afinal, será a equipa do Benfica assim tão medíocre? Ou será o Barcelona forte demais?

Capítulo 1 - Perante a "souplesse" do meio-campo do Barcelona, que não falha um passe (grande Iniesta, que jogador!), ao Milan faltava profundidade que desse continuidade à boa capacidade de recuperação do seu meio-campo. Impunha-se a subida de Serginho enquanto estava 0-0... mas Ancelotti não pensou assim e deixou tudo na mesma.

Capítulo 2 - Depois de sofrer um golo óbvio (continuo a dizer que Pirlo não é jogador para limpar a zona frontal à área do Milan), o treinador dos "rossoneri" deveria ter então colocado ordem no meio-campo, retirando "Beto" Seedorf para colocar Rui Costa em campo, dando à sua equipa a segurança de passe que nunca teve... O que fez Ancelotti? O que deveria ter feito com 0-0, ou seja, colocou Maldini (por Pirlo) e fez avançar Serginho. Agora? Agora era tarde... essa era antes, agora era outra!

Capítulo 3 - Quando Ancelotti percebeu que o problema passara a ser o meio-campo... tirou Gattuso e deixou em campo a sua pior unidade da noite, precisamente Seedorf (a pior exibição que lhe vi fazer desde os tempos do Ajax), colocando Ambrosini, esse portento do futebol que, pelo cabelo, foi um autêntico Karyaka (esse nem jogou contra o Barça).

Capítulo 4 - Para completar o ramalhete (não é o do hóquei), colocou em campo o perigoso e fresquíssimo jovem Cafu, para o lugar de... olhem, já nem sei quem saiu, mas interessa? Esta foi a derradeira pérola de "como não se deve treinar uma equipa de futebol".

Confesso que há muitos anos não via tanto disparate junto. Rijkaard, esse, limitou-se ao normal para conseguir dar a Ancelotti um verdadeiro tratado de futebol! Começo a perceber por que razão o Real Madrid quer o treinador italiano!!

1 Comentários:

Anonymous Deko diz...

Falaste no Rui Costa... Quem é ?

10:41 da tarde  

Enviar um comentário

<< Página Principal

Avalie-me!