terça-feira, abril 18, 2006

Quando o neurónio vai de férias

Vi, com alguma perplexidade, a um desfilar de disparates sobre a eliminação do Benfica da Liga dos Campeões. Desde o princípio da época, os constantes "vamos ganhar tudo", "quem vier morre", a "Liga dos Campeões é nossa" apenas contribuíram para alguns momentos de boa disposição, entre os episódios do Gato Fedorento.

Logo a seguir à derrota no Nou Camp, surgiram em magotes, quem sabe os mesmos, opinadores a dirigir impropérios à equipa, definindo-a como medíocre, fraca, etc., etc... Por ter sido eliminada pelo Barcelona? Isto só demonstra pobreza de espírito, muita, para além de capacidade de análise e de saber do que estão a falar. Acima de tudo, megalomania! Se desde o início a cegueira tivesse dado lugar à lucidez e, em vez de andarem a denominar esta de "Dream Team II", a seguir à brilhante que conseguiu ficar em quarto lugar pelas mãos do Toni, com Drulovics e Cia., tudo teria sido diferente. A verdade é que este plantel do Benfica é apenas e só bom para Portugal, capaz de ganhar o campeonato e, mesmo assim, dependendo da sorte e da força dos adversários.

Este Benfica é "bonzito", tem alguns jogadores de grande qualidade, mas continuam a faltar-lhe peças importantes, em especial no meio-campo e ataque. Este Benfica é bom apenas para fazer uma figurinha na Europa, mas está ainda a anos-luz de Barcelonas e afins. Este Benfica é melhor do que o do ano passado, mas tem várias lacunas. Se desde o início os adeptos e pseudo-comentadores tivessem tido a sanidade de o constatar, talvez tivessem moderado o discurso optimista de há alguns meses e, neste momento, estivessem a dizer que o Benfica, com a equipa que tem, até fez boa figura na Europa e dignificou o seu nome e o de Portugal. E até foi a equipa que mais problemas causou ao poderoso Barcelona... a ver pelo que o Milan passou em San Siro. Mas não poderia ir mais além. Não por ser "medíocre", como já lhe chamaram aqueles que antes diziam que era a melhor equipa do Mundo... mas porque milagres não existem.

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